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Sam Yogini

Em Novembro passado fiz 31 anos, acordei com vontade de ficar de pé na minha cabeça então isso fiz, o Yoga tem sido o meu remédio neste último ano, que não tem sido fácil. No ano prèvio vivi uma experiência forte, um ser amado magoou minha família e me desrespeitou, não foi fácil para quem esteve envolvido, e como resultado meu coração se sentiu ferido em várias ocasiões, não sabia como reagir e o que fiz foi me proteger e tomar as decisões que achei melhores para curar minhas feridas; com minhas decisões magoei, magoei porque não fiz o que se esperava de mim, durante minha curta vida magoei, sem intenção de magoar, talvez inconsciente do mal que estava fazendo, enfim, magoei e às pessoas amadas. A coisa mais difícil de magoar alguém que amo, seja por uma boa ou má decisão, tem sido me perdoar.

O caminho do perdão estava cheio de confusão; às vezes a lógica e todo o meu ser se sentia disposto a “perdoar” aos meus pais por qualquer dano que me pudessem ter feito durante a minha infância, como assumir a responsabilidade pela minha irmã mais nova ou ignorar o abuso por parte do parceiro da minha mãe, para nomear alguns com os quais me senti especialmente magoada; No entanto, eu acreditava que estava pronta, pensava que os perdoava porque entendia o estado mental/emocional em que se encontravam, mas não sentia que tivesse curado a ferida, ainda que queria, não sentia, só estava menos zangada e era suficiente para eu compreendê-los e respeitar suas decisões. Muitas vezes me senti frustrada porque sei que a relação com os meus pais poderia ser melhor e embora com todo o trabalho que fiz, tenha melhorado muito, olhava dentro de mim e com total sinceridade não sentia o que é o perdão, o que é o perdão? como se sente? Perguntava-me, será que é demasiado egomaníaco pensar que sou “alguém” para perdoar?

Esta ocasião me deu a oportunidade de escolher desde o começo, e eu escolhi perdoar a quem me magoou, já faz muito tempo que estou cansada de guardar ressentimentos, por isso decidi mudar desde o início a perspectiva com que via as coisas, quem julga? a mente ou quem escolhe julgar? acredito na força da escolha e os julgamentos são pensamentos, escolhi não ser juiz, apenas observar e deixar ir, começou este pequeno caminho do perdão; compreendi no meu coração, aprendi a ver em mim amor e abraçar o amor, abri o meu coração e aprendi a perdoar, encontrei e compreendi que poderia aprender muito mais mantendo este amor vivo, com o meu coração aberto as feridas curam sozinhas porque há amor suficiente.

O trabalho consistiu numa observação interna, qual é a realidade comigo mesma? Como me trato? Ao longo do caminho, encontrei-me em maior necessidade de me perdoar do que pensava, começando pelo mal que fiz aos meus seres queridos, muitas vezes sem me dar conta; como quando, aos 15 anos, eu não ligava para minha mãe há meses, ela sabia que eu estava pedindo carona e estava preocupada, nunca pensei em ligar porque estava imersa na minha experiência e quando menos percebi, o tempo tinha passado, quando a liguei ela chorou e só naquele momento pensei nos seus sentimentos, agora eu entendo que é pela “casca” de defesa que eu criei para que outros não me magoassem quando eu acreditava que eu estava sozinha e o mundo só queria me magoar, não havia empatia como filtro, eu era uma menina ferida que só confiava em si mesma.

A prática do Ioga e a meditação tem andado de mãos dadas neste caminho, abraço a minha prática e agradeço-me cada vez que volto à esteira, agradeço à minha avó, minha professora, aos todos meus professores, agradeço à vida mais um dia e por ter-me mostrado o caminho do perdão, comecei a trabalhar no que mais me magoou, no que fiz a mim mesma, como privar-me de sentimentos profundos para não me magoar, entre eles, o mesmo perdão. O que é o perdão? Eu só poderia descrevê-lo como um abraço caloroso no meu próprio coração, como o amor. E como observadora desta experiência hoje escolho o amor, escolho seguir este caminho de transformação, de aprendizagem, a vida me deu aprendizagens; escolho abraçá-los e me embarcar mais um dia nesta maravilhosa realidade na terra, conhecendo-me e amando-me ao longo do caminho.

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